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O OLHAR DOS ANIMAIS
Vão pensar que eu só sei falar e pensar em animais. Estarão 50% corretos. Não posso impedir meus pensamentos.
Acontece que eu ia passando pelo Rio das Pedras, lugar bem pobre, mas que corta caminho para a Barra da Tijuca, no caso de ir-se pegar o tunel para a zona sul.
Meu marido dirigia e eu então apenas olhava para fora. Foi quando vi um cão preto mais ou menos do tamanho de um labrador. Era um SRD, pelo liso e orelhas abaixadas. Ele andava bem juntinho do muro com a cabeça arriada olhando para o chão. Não vi seus olhos. Todo o seu aspecto era de tristeza, de abandono. Me veio na mente um ser humano sozinho, abandonado triste por não ter ninguém. Isso existe muito , sabemos disso.
Não esqueci a cena, porque estava tão clara a tristeza daquee cão que se eu tivesse um quintal grande, certamete ele agora estaria de cabeça e orelhas em pé, num lar de quem o trataria com amor. Mas, infelizmente nao tenho nem quintal grande, nem saúde para fazer isso. Fico triste de pensar que algum dia ele pertenceu a alguém que o jogou fora feito lixo.Apesar de estar na rua, ele era bonito.
Costumo olhar bem nos olhos dos animais. Podemos ver a diferença entre um bicho que é bem tratado e amado do olhar de um abandonado ou até maltratado.
Eles não sabem falar, mas falam muito bem com os olhos. Não precisa muito esforço para se entender o que desejam dizer com os olhinhhos.
Tenho muita pena das pessoas que vivem na beira da miséria. Mas tenho também muita tristeza de ver um animal que não faz mal a ninguem nem em atos , nem em pensamentos como os seres humanos. Assim continuo na minha idéia, posso até estar errada, não sou dona da verdade, de que crianças e animais jamais deveriam sofrer absolutamente, nem ter doenças. Simplesmente não deveriam sofrer. Só posso dizer que a imagem daquele cão preto andando cabisbaixo pelo cantinho do muro, não me saiu da mente, e penso que deve ser muito triste, pois os animais tambem têm tristezas, não ter para onde ir, uma casa para voltar. Enfim, não tenho mais 20 anos, senão eu daria um jeito de colocá-lo na garagem de casa e em cima da garagem também. As coisas ficaram dificeis para mim e antes de fazer algo, tenho que pensar se poderei ir até o final. Espero que aquele cão tenha encontrado alguém bondoso que lhe ampare. Enfim....não se pode consertar o mundo e nem abraçar todas as causas que gostaríamos. Só resta pensar positivo para também não sofrer por não poder fazer nada. Pobres animais!!! TEXTO DE NAJA

EU AGRADEÇO VICKY
(
DEDICADO A MINHA QUERIDA E MUITO AMADA COCKER SPANIEL)
Eu agradeço pela sua vida
Agradeço pela sua amizade, fidelidade e dedicação.
Eu agradeço o modo de me receber quando voltava para casa
Agradeço seu olhar de amor infinito
Agradeço as brincadeiras que fazíamos juntas com bolinhas e os chinelos
Agradeço a demostração de alegria ao me receber
Seu olhar de ternura, sua personalidade forte.
Agradeço os doze anos que conjugamos uma amizade que nenhum ser humano
seria capaz de dedicar-me.
Sua doação completa.
Sinto muita falta, minha Vicky, de seu latido rouco
De sua inocência, minha pequenina
Sinto tanta falta de você e sentirei para sempre
minha queria VICKY, minha Vicotinha.
NOITE ESCURA
Nenhuma luz, nada, no céu as estrelas não brilham mais, a lua escondeu-se, recusa-se aparecer. Tudo é silêncio. Pássaros negros aguardam nos galhos secos das árvores por suas refeições que ainda não morreram, mas a morte se faz presente na fome, na miséria, na sede, no caos. A garganta arde, a cabeça dói, já não existe mais esperança, tudo acabou em rápidos momentos. Então ....vem a paz, a grande paz sonhada, o final.
mesmice
As pessoas apressavam-se em ir para
casa, tomar um banho quentinho e descansar após um dia de trabalho
exaustivo.
Ela pegou seu carro e sabia que ia enfrentar um trânsito lotado, engarrafamentos em vários pontos da cidade até sua casa. Ligou o rádio que mal ouvia, apenas para diversificar seus pensamentos para outro momento.
No trabalho era muito reservada, calma, calada e até tímida. Não tinha amigos, apenas colegas de sala. Não frequentava grupinhos para almoçar ou sair após o
expediente.
No principio alguns achavam que ela era anti social, e mal a cumprimentavam,
Mas com o passar do tempo, perceberam que ela era uma pessoa simples, muito
inteligente, mas com algum problema que não falava a ninguém.
Não era casada, seus pais haviam ficado em seu cidade de origem e ela veio sozinha tentar a vida no Sul. Falava inglês, francês e espanhol e esperava um emprego que pudesse viajar como secretaria executiva ou assistente. Era competente, então por que era sempre tão calada, tão triste? Às vezes tinha-se a impressão que ela estava longe, distante dali, como se fosse possível transportar-se para outro lugar onde,
quem sabe, estaria sua alegria!!
Na verdade, ela era um enigma para seus colegas de trabalho. Antes de subir para seu apartamento, ela fazia um rápido lanche na confeitaria perto e depois ia para sua cama, ligava a TV e via qualquer coisa até chegar o sono.
A vida era uma mesmice. Ela já estava cansada de tudo sempre igual. Sentia saudades de sua família, de sua Terra, dos amigos que havia deixado por lá e dos passeios pelos campos verdes, acompanhada por seu cão.
Certo dia recebeu uma carta de seus pais avisando que o lindo cão havia ficado doente e apesar de todos os esforços não resistiu e morreu.
Ela chorou muito por não estar junto dele e por saber que quando voltasse não o encontraria mais.
Já se fazia tarde, mesmo assim ela pegou o carro e foi dirigindo pela auto estrada até sua cidade. Foi visitar o túmulo de seu amiguinho. Passou três dias por lá, plantou um jardim em volta do túmulo de seu amigo, com flores coloridas, alegres como ele sempre havia sido com ela. Dentro de si, havia um grande vazio, saudade, indecisão sobre que atitude tomar na vida, ficar na cidade grande ou voltar para sua família em sua cidade natal.
Uma névoa, prenúncio de chuva fina começou a cair na serra e ela diminuiu a velocidade em que dirigia.
Acidentes acontecem. Um carro em alta velocidade derrapou e veio com velocidade para cima dela o que fez com que desgovernada batesse num muro de pedra de uma casa. A buzina ficou tocando com sua cabeça caída em cima até que os bombeiros a fizesse parar. No chão havia caído uma carta que foi lida por seus pais. Ela se despedida do emprego para voltar para casa definitivamente, sim...
Ela voltava, mas para junto de seu tão amado cão. Um irresponsável pos fim a uma vida com futuro, que ainda andava em busca de si mesma, em busca de seu equilíbrio.
O enterro foi simples, mas com muitas flores coloridas para faze-la feliz onde quer que fosse.
ESTRELAS
Se as estrelas se acendem
será porque alguém delas precisa?
Por que alguém as quer lá em cima
será que alguém por elas clama
por esse brilho de pérolas
Sim!
Eis me aqui em tormentos
ao raiar desse sombrio dia
no âmago da poeira desta galáxia.
Sim, eis-me
A beira do precipício
a espera de um sinal celestial
Sim, eis-me aqui
na quase certeza do fim das horas
na ânsia do beijo perdido, partido!
Imploro!
Preciso absolutamente
duma estrela lá no alto
Juro
Eu não posso mais suportar
a tortura de um céu sem estrelas!
Levanto-me entre anseios e cambaleios
na certeza insana do passo firme
e um falso sorriso ao transeunte
“Bom Dia” espaça pelo canto do lábio
dissipando-se a dor no orvalho matinal
Escutai, pois!
Se as estrelas se acendem
é porque alguém delas precisa
Na verdade, cada noite,
é indispensável que
sobre todos os tetos,
uma única estrela, pelo menos, se alumie.
VLADIMIR MAIAKOVSKY
ENCONTRO CASUAL
Um encontro casual; uma troca de
olhares profundos em poucos momentos
em determinado dia que saía do trabalho
para casa. Caminhava para
o estacionamento, devagar, sem pressa,
havia tido um dia satisfatório, e estava
satisfeita comigo mesma. Em minha
direção ele vinha caminhando também
a passos largos, porém sem pressa. Por
um instante nossos olhos se fixaram e vi
naqueles olhos negros, uma beleza e um
brilho diferente, e senti que meus olhos
também o fitaram com a mesma intensidade.
Espantada, pela beleza do olhar, curiosa,
olhei para trás e ele estava parado me fitando.
Caminhei para a garagem e saí. Ao passar por
ele, recebi um lindo sorriso e um aceno. Sorri
e dei um toque na buzina. Meu coração disparou
pelo desconhecido, e não entendi o porquê.
No dia seguinte, se coincîdência ou não, lá estava
ele no mesmo lugar, mas um pouco mais perto
da entrada da garagem.
Desta vez pude ver seus olhos bem mais perto
e senti um calafrio percorrer meu corpo. Fitei
seus olhos e foi como se falássemos um com o
outro sem dizer palavra. Em seus lábios um
ligeiro ar de sorriso o que o tornava muito
mais bonito. Estava fascinada por aquele
estranho, moreno, alto, magro, seus cabelos
muito finos caíam um pouco na testa, muito
negros; ele era um homem de chamar a atençaõ
e ainda porque parecia ser muito simples e até
um pouco timido.
Tivemos vários desses encontros casuais,
e sempre ao passar por ele de carro, acenava
como se fõssemos velhos conhecidos. Neste dia,
jogou um beijo com a mão e eu respondi ao aceno.
Foi no sinal da semana que aconteceu. Eu já
caminhava em direção a garagem e ele veio
andando vagarosamente em minha direção.
Eu, com o coração aos pulos fui andando para
perto dele, e nossos olhos, apenas nossos olhos
se fitavam intensamente. Quando ficamos perto,
ele me abraçou ternamente, sem dizer palavra,
acarinhou meus cabelos e com suavidade e muita
ternura me beijou. Nesse instante me senti fora do
chão. Não sentia nada, não ouvia nada em volta,
apenas me deixei envolver pelo seu beijo doce, meigo, carinhoso.
Depois com um abraço forte, olhou fixamente em
meus olhos e com uma voz rouca, emocionada e
baixinho disse que na semana estaria ali novamente e conversaríamos.
Em seu olhar, em suas palavras, seu jeito de me
abraçar, havia algo de tão sincero, fantásticamente
original e eu nunca tive uma experiência desse jeito.
Estava alí o homem que sonhara encontrar, seu
tipo, seu beijo, seu abraço, aqueles olhos significativos,
tanta a emoção que me passou!
No caminho de casa fiquei pensando no acontecido,
não sabia seu nome, não sabia quem era. Provavelmente trabalhava por ali também. Usava terno, bem vestido,
o tipo que , apesar do calor parecia ter acabado de
tomar banho. Mesmo assim, sem estar acostumada
com situações assim, na segunda feira ao chegar
para o trabalho, mudei de garagem. Mudei para
outra entrada em que por isso teria que dar uma
volta , fazer um retorno para pegar a minha
avenida, pois aquela era a saída que dava para
a zona sul. Ao subir o viaduto o vi. Ele estava lá,
parado no mesmo lugar a minha espera. Tola
que fui.
O vi lá naquela entrada da garagem por umas
duas semanas, até qeu ele desapareceu. Desistiu, certamente. Pois ele sumiu.
Não esquecerei jamais esse episõdio em minha
vida e minha estupidez em jogar fora um sonho
que poderia ter realizado e por temer...abandonei.
Ainda consigo ver aqueles olhos e aquele sorriso
sincero, doce e meigo. Mas não soube aproveitar
e sem mesmo entender, fugi do que poderia ser
minha alegria, a alegria e a possibilidade de ter
um amor de verdade.
Mas o medo de novo sofrer me fez fugir do que
poderia ser bem diferente.
Durante uns poucos dias fiz o mesmo trajeto,
mas ele nunca mais apareceu.
Ficou para mim como se tivesse sido um sonho.
Um sonho muito bom e que ao acordar nada havia
realmente.
Por medo de sofrer,,,sofri. Não tive coragem de
arriscar e sozinha fiquei...nunca mais o vi.