sábado, 24 de julho de 2010

DESPEDIDA

Despedida



Por mim, e por vós, e por mais aquilo


que está onde as outras coisas nunca estão


deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:


quero solidão.


Meu caminho é sem marcos nem paisagens.


E como o conheces ? - me perguntarão. -


Por não Ter palavras, por não ter imagem.


Nenhum inimigo e nenhum irmão.


Que procuras ?


Tudo.


Que desejas ?


Nada.


Viajo sozinha com o meu coração.


Não ando perdida, mas desencontrada.


Levo o meu rumo na minha mão.


A memória voou da minha fronte.


Voou meu amor, minha imaginação ...


Talvez eu morra antes do horizonte.


Memória, amor e o resto onde estarão?


Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.


(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !


Estandarte triste de uma estranha guerra ... )


Quero solidão.

Cecília Meireles