quarta-feira, 23 de novembro de 2011



UMA ÁRVORE CHAMADA FICUS















As janelas da casa era metade persiana e na parte superior eram quatro vidros. Bem em frente a casa havia um pé bem antigo de ficus, e dessa árvore caíam bolinhas, que deviam ser sementes, talvez, que as crianças gostavam de ficar pisando e escutando o barulhinho delas estourando. Alguém aproveitou o feitio da árvore fez um banco onde as crianças brincavam depois da escola.


Uma das meninas era miúda, cabelinhos alourados, caindo sob seus ombros, e aquele cabelo fazia um contraste com suas sobrancelhas que eram negras. A impressão que se tinha era que ela as pintava, mas era de sua natureza. Seu nome era Beatriz, mas todos a chamavam de Bia.


Nos dias de chuva, quando caíam mais bolinhas da árvore, Bia subia na cama e ficava por horas olhando os pingos da chuva forte bater no chão e espirrar água para cima, Ela achava aquilo muito bonito e na manhã seguinte ela corria para pisar nas bolinhas.


Bia não se misturava muito com as outras crianças, ela quase que brincava sozinha.


Alí, debaixo daquela árvore, pisando nas bolinhas, ela em sua imaginação criava uma vida bem diferente da que vivia. Bia tinhas dias que era uma grande médica, mas em outros já era uma bela moça muito bem vestida trabahando numa grande empresa e ganhando muito dinheiro. Outras vezes, Bia se casava com um belo rapaz e vivia numa casa bem grande e muito bonita.


O tempo passou, Bia se formou e foi trabalhar numa empresa grande, de nome e que pagava bem. Apesar de ter um sonho reaizado, ela~não era feliz. Continuava sozinha, almoçava sozinha, voltava para casa de ônibus e aquela vida virou uma situação de monotonia.


Um dia, indo de trem para casa, ela conheceu um rapaz bonito, alto, cabelos claros como os delas, quase igual, os cabelos de Bia tinham mais a tonalidade de mel.


Passaram a viajar juntos no trem, ela descia uma estação antes da dele. Com o tempo ele passou a descer com ela, acompanhá-la até sua casa e depois pegava um ônibus para ir para a casa dele. Ela não gostava do nome dele, apesar de ser bonito, alto, belos olhos, o nome dele era Silvério. O namoro demorou uns dois anos, e ela sempre desgostando de seu nome, passou então a chamá-lo pelo seu sobrenome que era comum mais não era feio. Então ele passou a ser o Lima.


Bia teve oportunidades várias de mudar para um lugar mais bonito, onde não precisasse andar de trem, mas ela gostava daquele lugar onde crescera e tinha sua árvore com bolinhas. Uma grande parte de sua infância ainda vivia nas memórias de Bia.


Embora tivesse tido sucesso nos estudos e no trabalho, era assistente técnica de administração na empresa, um cargo de bom salário. Ela poderia ter uma vida bem mais confortável mas continuou morando naquela casa, sozinha, pois seus pais haviam falecido e deixado a casa para ela. Alí haviam muitas lembranças que ela não queria que o tempo apagasse. Era um moça vistosa, não era alta, mais era digna de destaque entre outras.


Um dia Bia que já vinha duvidando de seu amor por Lima, resolveu terminar o namoro. Lima amava muito Bia e prometeu que se suicidaria se ela o deixasse. É claro que ela achou que aquielo era apenas para ela ficar com ele. Porém Bia estava decidida e terminou mesmo assim. Jamais acreditou que ele cumprisse a palavra.


Durante uma semana Bia não viu mais o Lima na estação. Achou que ele estava pegando outro trem para não vê-la mais.. Achou melhor assim. Lima era advogado numa empresa cujo prédio era bem perto do que ela trabalhava, assim fez amizade com algumas moças que trabalhavam como assistente administrativas de Lima, pois estavam estagiando como advogadas também.


Num encontro com uma das moças, Bia teve uma grande decepção e sentiu ao mesmo tempo, raiva e remorso. Lima havia se suicidado de verdade. Ela ficou tonta, a amiga levou-a para tomar um café e sentadas numa mesa do bar, conversaram e ela ficou sabendo dos detalhes. Ele tomou uma quantidade imensa de comprimidos para dormir que eram usados por sua mãe. Foi para o pronto socorro, mas nao resistiu e faleceu com menos de trinta anos.


Bia ficou chocada, aborrecida, com culpa, remorso, mas como ficar com uma pessoa sem amá-la , apenas por piedade.


Isso ficou marcado para sempre e atrapalhavam os sonhos de Bia. Ela não conseguia se livrar de sentir culpa pela morte do rapaz.


Ganhando bem , comprou um carro e gostava de correr, a avenida que ela pegava para casa podia chegar a oitenta quilômetros por hora, mas ninguem obedecia, nem ela, tinha vezes que chegava a cento e dez quilômetros na avenida. Numa noite que voltava para casa, cansada, vinha dormindo pouco, tinha noites longas de insônia, e voltou para casa correntdo como sempre. Num momento, o caminhão que ia na frente dela parou de repente, pois uma mulher atrevessou a rua fora da passarela.


Quando o caminhão freou rápido, ela que ia muito perto, não teve como evitar, seu carro entrou por baixo do caminhão e ela morreu na hora. Quando os bombeiros chegaram só tiveram que tirá-las das ferragens.


No dia seguinte quando seria sepultada, choveu bastante forte e da árvore de Bia caíram muitas bolinhas, mas depois que passou a chuva, nenhuma criança foi correndo para pisar nas bolinhas que Bia, mesmo adulta gostava de pisar. Naquele dia as bolinhas ficaram intactas em respeito a sua criança, a moça adulta que se manteve menina todo o tempo brincando de pisar nas bolinhas da árvore, enquanto criava seus sonhos.


naja