sábado, 5 de junho de 2010

CONVERSA DE UM CÃO


CONVERSA DE UM CÃO


Meu nome é Mike. Moro numa casa com mais onze irmãos iguais a mim...quer dizer, parecidos comigo porque aqui tem duas cockers e uma maltês que são muito, muito metidas. Vão ao Petshop tomar banho, cortar as unhas e ainda voltam com lacinhos cor de rosa.
Eu e meus irmãos, tomamos banho quentinho, no banheiro de empregada.
Acreditem que eu e meus irmãos temos patas e essas outras metidas têm "pés de grilo". Eu entendo assim, já que não conheço essas linguas esquisitas. Não vejo nenhuma delas com os tais "pés de grilo", muito pelo contrário; elas têm patinhas peludinhas. Por causa desse tal "pé" elas se acham o máximo.
Tinha uma cocker com "pezinho de grilinho" que era muito quietinha. Só andava atrás de nossa mãe e não deixava ninguém chegar perto. Essa coitadinha foi morar com os anjos do céu e minha mãe, desde então, anda muito, mas muito triste. As vezes, eu percebo que ela está chorando!!
O que eu queria deixar bem claro, é que tem humanos tão desumanos que nos maltratam quando estamos na rua, fazem todo tipo de maldade. Em contrapartida, há humanos "bem humanos" que nos acolhem e nos tratam também como se tivéssemos "os tais pés de grilo". Aqui em casa é assim. Temos tudo do melhor, casinha protegida do sol e chuva, água fresquinha, ração de boa qualidade e muito, mas muito amor. Quando estamos doentes, minha mãe ou meu pai nos levam ao veterinário. Isso é insuportável. Não gostamos nada deles, mas meus pais dizem que é preciso...
Na verdade, vou contar um segredo para vocês. Esses humanos bonzinhos pensam que são nossos donos, mas não é verdade. Nós é que somos seus donos. Afinal, nós é que escolhemos quem vai nos dar educação, nos ensinar boas maneiras e a obedecermos à primeira palavra de um deles. Depois eles sabem, que até nossa vida daremos por eles,se necessário for.
Minha mãe, a dona dela era aquela "pezinho de grilinho" que foi morar no céu. Acreditem que minha mãe saía somente o super necessário, pois sabia que "pezinho" ficaria na porta esperando até ela voltar. Isso quando nossa mãe não podia levá-la.
É muito bom quando encontramos esses humanos "muito humanos" pois nos acolhem e passamos a ter um lar, um nome e deixamos de ser xingados de "vira-latas". Que coisa feia!!! Passamos a ter amor, carinho e respeito.
Espero que mes irmãos, cães ou gatinhos que ainda estão na rua sem lar, achem em seus caminhos um "humano, bem humano" que os acolha e lhes dêem um cantinho protegido do sol, frio, fome, sede e chuva.
Eu e meus irmãos, até as "pes de grilo" todas simpáticas, lhes deixamos carinhosos au au e várias lambidinhas de amor sincero.
De um cão muito feliz cujo nome agora é MIKE.

---Mike faleceu, após um ano conosco, com osteosarcoma, em 30 de junho desde ano de 2006.
NAJA