quinta-feira, 10 de junho de 2010

ENCONTRO CASUAL


ENCONTRO CASUAL


Um encontro casual; uma troca de
olhares profundos em poucos momentos
em determinado dia que saía do trabalho
para casa. Caminhava para
o estacionamento, devagar, sem pressa,
havia tido um dia satisfatório, e estava
satisfeita comigo mesma. Em minha
direção ele vinha caminhando também
a passos largos, porém sem pressa. Por
um instante nossos olhos se fixaram e vi
naqueles olhos negros, uma beleza e um
brilho diferente, e senti que meus olhos
também o fitaram com a mesma intensidade.
Espantada, pela beleza do olhar, curiosa,
olhei para trás e ele estava parado me fitando.
Caminhei para a garagem e saí. Ao passar por
ele, recebi um lindo sorriso e um aceno. Sorri
e dei um toque na buzina. Meu coração disparou
pelo desconhecido, e não entendi o porquê.
No dia seguinte, se coincîdência ou não, lá estava
ele no mesmo lugar, mas um pouco mais perto
da entrada da garagem.
Desta vez pude ver seus olhos bem mais perto
e senti um calafrio percorrer meu corpo. Fitei
seus olhos e foi como se falássemos um com o
outro sem dizer palavra. Em seus lábios um
ligeiro ar de sorriso o que o tornava muito
mais bonito. Estava fascinada por aquele
estranho, moreno, alto, magro, seus cabelos
muito finos caíam um pouco na testa, muito
negros; ele era um homem de chamar a atençaõ
e ainda porque parecia ser muito simples e até
um pouco timido.
Tivemos vários desses encontros casuais,
e sempre ao passar por ele de carro, acenava
como se fõssemos velhos conhecidos. Neste dia,
jogou um beijo com a mão e eu respondi ao aceno.
Foi no sinal da semana que aconteceu. Eu já
caminhava em direção a garagem e ele veio
andando vagarosamente em minha direção.
Eu, com o coração aos pulos fui andando para
perto dele, e nossos olhos, apenas nossos olhos
se fitavam intensamente. Quando ficamos perto,
ele me abraçou ternamente, sem dizer palavra,
acarinhou meus cabelos e com suavidade e muita
ternura me beijou. Nesse instante me senti fora do
chão. Não sentia nada, não ouvia nada em volta,
apenas me deixei envolver pelo seu beijo doce, meigo, carinhoso.
Depois com um abraço forte, olhou fixamente em
meus olhos e com uma voz rouca, emocionada e
baixinho disse que na semana estaria ali novamente e conversaríamos.
Em seu olhar, em suas palavras, seu jeito de me
abraçar, havia algo de tão sincero, fantásticamente
original e eu nunca tive uma experiência desse jeito.
Estava alí o homem que sonhara encontrar, seu
tipo, seu beijo, seu abraço, aqueles olhos significativos,
tanta a emoção que me passou!
No caminho de casa fiquei pensando no acontecido,
não sabia seu nome, não sabia quem era. Provavelmente trabalhava por ali também. Usava terno, bem vestido,
o tipo que , apesar do calor parecia ter acabado de
tomar banho. Mesmo assim, sem estar acostumada
com situações assim, na segunda feira ao chegar
para o trabalho, mudei de garagem. Mudei para
outra entrada em que por isso teria que dar uma
volta , fazer um retorno para pegar a minha
avenida, pois aquela era a saída que dava para
a zona sul. Ao subir o viaduto o vi. Ele estava lá,
parado no mesmo lugar a minha espera. Tola
que fui.
O vi lá naquela entrada da garagem por umas
duas semanas, até qeu ele desapareceu. Desistiu, certamente. Pois ele sumiu.
Não esquecerei jamais esse episõdio em minha
vida e minha estupidez em jogar fora um sonho
que poderia ter realizado e por temer...abandonei.
Ainda consigo ver aqueles olhos e aquele sorriso
sincero, doce e meigo. Mas não soube aproveitar
e sem mesmo entender, fugi do que poderia ser
minha alegria, a alegria e a possibilidade de ter
um amor de verdade.
Mas o medo de novo sofrer me fez fugir do que
poderia ser bem diferente.
Durante uns poucos dias fiz o mesmo trajeto,
mas ele nunca mais apareceu.
Ficou para mim como se tivesse sido um sonho.
Um sonho muito bom e que ao acordar nada havia
realmente.
Por medo de sofrer,,,sofri. Não tive coragem de
arriscar e sozinha fiquei...nunca mais o vi.