sábado, 12 de junho de 2010

MESMICE




mesmice

As pessoas apressavam-se em ir para
casa, tomar um banho quentinho e descansar após um dia de trabalho
exaustivo.
Ela pegou seu carro e sabia que ia enfrentar um trânsito lotado, engarrafamentos em vários pontos da cidade até sua casa. Ligou o rádio que mal ouvia, apenas para diversificar seus pensamentos para outro momento.
No trabalho era muito reservada, calma, calada e até tímida. Não tinha amigos, apenas colegas de sala. Não frequentava grupinhos para almoçar ou sair após o
expediente.
No principio alguns achavam que ela era anti social, e mal a cumprimentavam,
Mas com o passar do tempo, perceberam que ela era uma pessoa simples, muito
inteligente, mas com algum problema que não falava a ninguém.
Não era casada, seus pais haviam ficado em seu cidade de origem e ela veio sozinha tentar a vida no Sul. Falava inglês, francês e espanhol e esperava um emprego que pudesse viajar como secretaria executiva ou assistente. Era competente, então por que era sempre tão calada, tão triste? Às vezes tinha-se a impressão que ela estava longe, distante dali, como se fosse possível transportar-se para outro lugar onde,
quem sabe, estaria sua alegria!!
Na verdade, ela era um enigma para seus colegas de trabalho. Antes de subir para seu apartamento, ela fazia um rápido lanche na confeitaria perto e depois ia para sua cama, ligava a TV e via qualquer coisa até chegar o sono.
A vida era uma mesmice. Ela já estava cansada de tudo sempre igual. Sentia saudades de sua família, de sua Terra, dos amigos que havia deixado por lá e dos passeios pelos campos verdes, acompanhada por seu cão.
Certo dia recebeu uma carta de seus pais avisando que o lindo cão havia ficado doente e apesar de todos os esforços não resistiu e morreu.
Ela chorou muito por não estar junto dele e por saber que quando voltasse não o encontraria mais.
Já se fazia tarde, mesmo assim ela pegou o carro e foi dirigindo pela auto estrada até sua cidade. Foi visitar o túmulo de seu amiguinho. Passou três dias por lá, plantou um jardim em volta do túmulo de seu amigo, com flores coloridas, alegres como ele sempre havia sido com ela. Dentro de si, havia um grande vazio, saudade, indecisão sobre que atitude tomar na vida, ficar na cidade grande ou voltar para sua família em sua cidade natal.
Uma névoa, prenúncio de chuva fina começou a cair na serra e ela diminuiu a velocidade em que dirigia.
Acidentes acontecem. Um carro em alta velocidade derrapou e veio com velocidade para cima dela o que fez com que desgovernada batesse num muro de pedra de uma casa. A buzina ficou tocando com sua cabeça caída em cima até que os bombeiros a fizesse parar. No chão havia caído uma carta que foi lida por seus pais. Ela se despedida do emprego para voltar para casa definitivamente, sim...
Ela voltava, mas para junto de seu tão amado cão. Um irresponsável pos fim a uma vida com futuro, que ainda andava em busca de si mesma, em busca de seu equilíbrio.
O enterro foi simples, mas com muitas flores coloridas para faze-la feliz onde quer que fosse.